Um futuro com cheiro de velho pela frente

1 01UTC Agosto 01UTC 2009 at 6:20 am | In ciência política, educação, humor e política, política, universidade | 1 Comment
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Por Marcus Rocha, Estudante de Ciências Sociais, UFRGS (www.caraspintadasrs.blogspot.com)

Texto publicado no site da revista Carta Capital

Entre os dias 15 e 19 de julho, ocorreu em Brasília o 51º Congresso da União Nacional dos Estudantes. Foram credenciados cerca de três mil delegados. Metade do esperado no propalado “maior Conune da história”. Patrocinado por diversos ministérios e pela Petrobras, um dos pontos altos do congresso foi o ato em defesa da empresa. A minoritária oposição criticou o atrelamento da entidade ao governo federal, cujos laços fizeram que diversos de seus integrantes saíssem em defesa de José Sarney, o presidente do Senado, apoiado por Lula, e alvo de diversas denúncias.

A União nacional dos Estudantes já participou ativamente de debates sobre os rumos da nação. Contribuiu para colocar os estudantes na linha de frente do debate público na campanha “O petróleo é nosso”. Da mesma forma quando resistiu à ditadura militar – e por causa disso foi fechada pela ditadura, que perseguiu e matou diversos de seus integrantes, incluindo um de seus presidentes, Honestino Guimarães. Em 1992, soube que era hora de sair às ruas e exigir que Fernando Collor, primeiro presidente eleito diretamente pelo povo após a ditadura militar, acossado por denúncias de corrupção, voltasse para casa.

José Sarney foi nosso último presidente indireto: apoiador da ditadura, vice de Tancredo Neves, que fora eleito pelo colégio eleitoral, falecido pouco após tomar posse. Essa postura “mais real que a do próprio rei” tomada pela direção majoritária da entidade (hegemonizada pelo PCdoB há vinte anos) é mais extrema que a da própria juventude do PT, que não se exime de fazer a crítica e a disputa internas. A única explicação plausível são os R$ 2,49 milhões, só esse ano, repassados pelo governo federal à UNE, cujos ex-diretores ocupam em massa cargos no governo. Faz opção, portanto, pela política miúda do toma-lá-dá-cá, daqueles que se aproximam do poder visando às benesses que o Estado pode garantir aos amigos do regime.

Não é possível, pelos critérios contemporâneos, chamar de democrático um país no qual as instituições não são transparentes e tratam de forma privilegiada os poderosos. Não há accountability se aqueles que são cobrados pela opinião pública ou se lixam, ou mentem, ou tranquilamente fingem não ter qualquer responsabilidade. A UNE poderia voltar a fazer a grande política de outrora, se direcionasse seus recursos financeiros e humanos para colocar os estudantes novamente no centro do debate sobre os rumos do Brasil. Se a entidade fica ao lado dos que escondem, fraudam, pulam por cima dos controles constitucionais e avançam sobre o patrimônio público, ela se torna cúmplice do que há de menos democrático e republicano na sociedade brasileira.

A União Nacional dos Estudantes dá, portanto, um passo atrás na história política do Brasil. Justo no momento em que a juventude gaúcha sai às ruas para protestar contra o governo de Yeda Crusius, recuperando inclusive o rótulo dos “Caras Pintadas” e reconhecendo a importância da atuação da entidade em 1992. Enquanto a sociedade se revolta com a existência de “atos secretos” dentro do Senado Federal, e com a existência de uma imensa máquina de influências da família Sarney, usados para proporcionar benefícios privados com recursos públicos. Quando os resultados da operação Satiagraha escancaram a existência de esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro que envolvem atores privados com tentáculos que descem fundo nas instituições políticas da nação. Quando as universidades de todo o Brasil fervem com greves, debates, ocupações e sonhos.

Nesse momento de encruzilhada, a União Nacional dos Estudantes poderia exercer um papel maior e contribuir de fato para a melhoria da vida pública brasileira mas, ao contrário, faz opção pela velha forma de fazer política, com coronéis, clientelismos, patrimonialismos e outras características que ainda marcam nossa vida política.

Reuni e Reforma Universitária

4 04UTC Junho 04UTC 2009 at 1:13 pm | In Uncategorized | Leave a Comment
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Reuni, Reforma Universitária, Universidade Nova, UAB…  que confusão! O processo de mudança pelo qual a universidade brasileira passa é bom ou ruim para o país? A resposta é: depende! Depende de que país queremos, que educação vamos dar para quem fazer o que.

Antes uma rápida palavra sobre o processo de Bolonha, cujos marcos fundamentais são os mesmo que norteiam a mudança estrutural das universidades brasileiras, mas cuja lógica encontra-se mais explicita e o processo mais adiantado. Primeiro vamos ouvir o próprio comissário europeu para educação, formação e cultura, Ján Figen, sobre a reforma pela qual passam as universidades européias: “as universidades, que devem modernizar o conteúdo dos seus programas de estudo, criar campus virtuais e reformar os seus modelos de gestão. Devem igualmente profissionalizar a sua gestão, diversificar as fontes de financiamento e abrir as portas a novos tipos de estudantes”. A Europa possui problemas distintos do nosso, como as diversas tradições nacionais de organização das universidades. Uma das suas principais metas é unificar os sistemas para que as universidades possam competir entre si pela atração de estudantes de todo o mundo, sobretudo os asiáticos, que passaram a procurar em massa as universidades dos Estados Unidos. Além disso, é explicitamente mencionado nos diversos documentos, a diversificação do financiamento, com a introdução da cobrança de taxas de semestralidade – a meta é que até 2012 os custos totais do aluno sejam retirados do Estado, no caso das universidades públicas.

Em que pese a lógica ser a mesma, evidentemente as universidades brasileiras são bem diferentes das universidades européias, além de enfrentar desafios completamente diferentes. Importar mais um modismo europeu, respondendo a pressões de organismo internacionais como o Banco Mundial, constitui adotar verdadeiras “idéias fora do lugar” e implantar um sistema que não se encaixa na história das nossas universidades e nem dá conta dos desafios que o Brasil enfrenta.

Reuni: mágica, truque ou ilusão?

A universidade brasileira deve estar vinculada a um projeto de desenvolvimento nacional, e deve ajudar a resolver os seculares problemas brasileiros, como a brutal exclusão social que priva milhões de uma qualidade de vida decente e acesso aos espaços de tomada de decisão. Para que cumpra esse destino, é imprescindível que seu desenvolvimento seja planejado e discutido democraticamente. É inadmissível que mais uma vez a Universidade seja reformada de cima para baixo, sem participação da sociedade na definição do ensino superior que deseja. Os dois processos de reforma universitária profundos pelos quais passamos foram durante dois períodos ditatoriais: em 1932 e em 1968. Mais uma vez será negada à sociedade brasileira que debata o seu desenvolvimento científico e tecnológico: o processo de reforma pelo qual passam as IFES, através da implantação do REUNI e da Universidade Nova foi feito de forma antidemocrática em todo o Brasil.

O objetivo do REUNI  -Programa de Restruturação e Expansão das Universidades Federais – é aumentar as vagas nos cursos de graduação. Objetivo louvável, mas cujo alcance demandará do governo verdadeiro malabarismo contábil e arrocho total em cima das universidades, às transformando em verdadeiras fábricas de graduados, contrariando a história de excelência da Universidade Pública Brasileira. Além disso, o governo promete investir pesado numa educação bastante vantajosa do ponto de vista daqueles que enxergam tudo pelos olhos da economia de recursos: a educação à distância, com criação de diversos cursos de graduação exclusivamente EAD pela Universidade Aberta do Brasil.

O repasse de verbas é condicionado ao cumprimento de metas draconianas. Para cumpri-las, as universidades elevarão o número de alunos por sala, aumentarão os encargos docentes, colocarão bolsistas da pós-graduação para dar aula e vão estimular a conclusão do curso de graduação no tempo estritamente previsto. Como estímulo, oferecem agora algumas vagas docentes e parcos aumentos de verbas para as instituições que aderirem ao programa – e todas as federais aderiram. O programa constitui um verdadeiro canto das sereias para o ensino superior brasileiro: parece lindo e irresistível em um primeiro momento, mas nos levará ao fundo, inexoravelmente. Para levar adiante esse processo rígido de transformação, o governo executa um processo de avaliação institucional extremamente quantitativista, que valoriza apenas aspectos fáceis de medir e colocar na planilha. Com base nesses índices comparáveis entre si, como o ENADE e o SINAES, o governo pretende estimular a competição entre as universidades. Competição desigual, pois  a tendência é dividi-las em dois tipos:

Poucas universidades dedicadas fortemente à pesquisa.

O Reuni prevê um adicional de verbas para aquelas com muitos cursos de doutorado. As maiores universidades do Brasil terão espaço para o desenvolvimento de ciência de ponta, constituindo-se verdadeiras ilhas privilegiadas nos grandes centros. Esse adicional de verbas será destinado àquelas que… já tem essa área desenvolvida!

Muitas universidades com foco maior na graduação.

A proposta de adoção do ensino por ciclos dá conta desse fenômeno. Muitos ingressam no primeiro ciclo genérico, poucos no segundo e menos ainda no terceiro (confira a imagem, retirada do livro de Naomar Filho, reitor da UFBA e principal artífice desse processo no Brasil). Muito embora o profissional de formação genérica em “humanidades” egresso apenas do primeiro ciclo tenha diploma de nível superior, é evidente terá dificuldades de exercer qualquer profissão e mesmo de se dedicar à pesquisa durante sua graduação. Os índices de emissão de diplomas serão inflados. Como num passe de mágica, em 2 anos aumentarão enormemente o número de egressos das IFES. Truque, evidentemente, como coelhos que surgem de cartolas.bi

A meta de 18 alunos por professor permitirá expandir as matrículas sem a correspondente expansão do número de docentes. O resultado óbvio é – essa realidade já é vivida em diversas IFES – a sobrecarga da infra-estrutura universitária: salas de aula lotadas, falta de laboratórios, uso intensivo do trabalho “docente” dos bolsistas de pós-graduação (até 30h por semestre para mestrandos e até 60h para doutorandos, como contrapartida à obtenção da bolsa) e insuficiência geral das políticas de assistência estudantil. A prova de que a ampliação em termos de matrículas será inferior à ampliação do número de docentes é visualizada no quadro abaixo, elaborado pelo ANDES-SN com dados dos planos de metas firmados entre as universidades e o MEC. Mais uma ilusão vendida pelo governo!

Tabela 1 – ACORDO do REUNI: expansão pactuada

IFES – Universidade Exp. Vagas

(anual)

2009/2008

Exp. Docente

(anual)

2009/2008

Exp. Matrícula

(em 5 anos)

2012/2007

Exp. Docente

(em 5 anos)

2012/2007

Rio Grande 35% 7,7% 78% 31%
Rio Grande do Norte 42% 5,5% 63% 22%
Juiz de Fora 14% 6,0% 71% 29%
Pelotas 18% 8,4% 82% 48%
Fluminense 66% 9,0% 101% 27%
Paraná 23% 9,4% 33% 15%

Ações Afirmativas: Uma solução ou uma miragem?

Para nós a adoção das políticas de ações afirmativas é fundamental. Mas o aparente avanço alcançado pela incorporação de populações antes excluídas do acesso ao ensino superior público pode transformar-se em verdadeira miragem no deserto. Quando defendemos que egressos do ensino público, negros e índios devem ter acesso ao ensino público do qual foram excluídos por séculos, defendemos que devem ter acesso ao mesmo ensino público, gratuito e de qualidade que durante séculos formou a elite política, econômica e intelectual do país. A universidade vai mudar para pior no momento em que a política de ações afirmativas é adotada, transformando o acesso à educação de qualidade numa ilusão de ótica. Mais uma vez lhe privaram de chegar aos espaços mais privilegiados da sociedade.

(texto elaborado para a tese do movimento Romper o Dia! para o 51º Conune)

ERECS 2009

8 08UTC Maio 08UTC 2009 at 8:56 pm | In Uncategorized | Leave a Comment
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cartazErecs

Processos de reforma do Ensino Superior

8 08UTC Maio 08UTC 2009 at 8:51 pm | In educação, políticas públicas, universidade | Leave a Comment
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Encontro Regional de Estudantes de Ciências Sociais – Sul

Curitiba, Paraná, 11 a 14 de junho de 2009

Texto de discussão GDT nº 3, processos de reforma do Ensino Superior

Autor: Marcus Vinícius Rossi Rocha (Hulk), Ciências Sociais UFRGS

É também defender a razão combater os que mascaram sob as aparências exteriores da razão os seus abusos de poder ou que se servem das armas da razão para alicerçar ou justificar um império arbitrário.

Pierre Bourdieu

Processos de Reforma do Ensino Superior Brasileiro e seus condicionantes

Nesse texto, abordaremos alguns aspectos relevantes para compreender as mudanças pelas quais passa o ensino superior público no Brasil e apontar uma agenda de pesquisa e mobilização política para o futuro próximo. Quanto a isso, no entanto, possui um defeito fundamental: Ignora as realidades específicas das universidades estaduais e privadas. Além disso, seria oportuno tratar do desenvolvimento histórico da Universidade brasileira e os marcos de sua trajetória institucional e as duas reformas pelas quais passou, nos regimes de 1930 e 1964, ambas sob regimes ditatoriais; e das matrizes do desenvolvimento das universidades americanas (inspiração flexeriana) e européias (modelos humboldtiano e napoleônico).

A inspiração das reformas pelas quais passam as instituições federais de ensino superior (IFES), através da implantação do Reuni e da Universidade Nova, vem do processo de Bolonha. Entender as linhas mestras desse processo e como ele transcorreu na Europa é fundamental para prever os próximos passos da reforma brasileira. Outra dimensão a ser considerada é a pressão exercida por organismos internacionais sobre a agenda de políticas públicas brasileira. No que tange à educação, a pressão do Banco Mundial por modificações em todos os níveis da educação é fartamente documentada.

Atualmente, temos em curso no Brasil a aplicação do decreto Reuni, inspirado no processo de Bolonha, que tem como principais objetivo a unificação do ensino superior europeu em um “sistema de ensino europeu” unificado. Além disso, como objetivo tácito, visa a desonerar os estados dos custos relativos ao ensino através de repasse dos custos diretamente ao estudante, além de diminuir o tempo de permanência do aluno na Universidade. Em seguida, e tendo como objetivo aumentar a competitividade das instituições européias frente às americanas, estabelecer critérios de avaliação de desempenho objetivos e quantitativos, de forma a permitir ranqueamentos das instituições. Todo esse processo é condicionado pela visão do “novo gerencialismo público”, que visa a aplicar no setor público técnicas de gestão e produtividade do setor privado.

O processo de Bolonha

O objetivo da série de acordos que viriam a ser conhecidos como “Processo de Bolonha” é estabelecer um sistema europeu de ensino superior. As características desse sistema são a mobilidade, o intercâmbio e a competitividade entre as instituições européias, cujas estruturas seriam compartilhadas, tais como sistemas de ciclos de estudos, sistemas de créditos comuns, mobilidade, e cooperação na avaliação. Esse sistema, altamente integrado e competitivo, visa a transformar os diversos sistemas educacionais dos países aderentes em um único mercado educacional unificado.

Para operar de fato em um sistema – ou mercado único -, as universidades devem operar sob um conjunto compartilhado de normas e critérios passíveis de avaliação. Para tanto, desenvolveram-se diversos critérios de quantificação de desempenho das universidades, de forma a permitir comparação entre os índices. A ENQA (European Association for Quality Assurance in Higher Education) produziu standards ou padrões genéricos que “deverão ser aplicados a todas as instituições de educação superior e a todas as agências de avaliação independentemente de sua estrutura, função, tamanho e sistema nacional em que se encontrem integrados.”.  Tais padrões serão assegurados por um “sistema europeu de garantia de qualidade” a qual deverão se subordinar as agências nacionais de avaliação, cuja função seria de “sugerir melhorias” ou exercer controles ex ante ou ex post.

“Em qualquer dos casos, e ainda que se possam encontrar algumas defesas algo sincréticas de uma espécie de paradigma de avaliação do tipo humanista/ economicista, a orientação dominante revela-se de tipo positivista e competitiva, como reconhece a própria ENQA no seu relatório relativo a Portugal: “A Educação superior, num contexto de globalização, tem começado a evidenciar características de um mercado” (ENQA, 2006, p. 9). Ora é em contexto de mercado que o atual paradigma de universidade vem sendo substituído “por um paradigma empresarial a que devem estar sujeitos tanto as universidades públicas, como as privadas, e o mercado educacional em que estas intervêm deve ser desenhado globalmente para poder maximizar a sua rentabilidade”, conforme conclui Boaventura de Sousa Santos (2005, p. 149). E é precisamente face ao paradigma empresarial que “a liberdade acadêmica é vista como um obstáculo à empresarialização da universidade e à responsabilização da universidade ante as empresas que pretendem os seus serviços” (p. 150). É também neste quadro de referência que se podem cabalmente compreender as propostas de tipo tecnocrático e gerencialista no sentido de transformar as universidades em fundações de direito privado, dotadas de estruturas tipicamente empresariais” (Lima, Azevedo e Catani. pág. 17, 2008)

A adoção de lógicas gerencialistas e competivas pelas universidades foi duramente criticada pelas associações estudantis. Entre outras coisas, pela dificuldade de acessar o segundo (mestrado) e terceiro (doutorado) ciclos, principalmente pelas altas taxas cobradas. Segundo documento da OCDE, a cobrança de taxas deve progressivamente se aproximar do custo real por aluno. Além da cobrança de taxas, diversas técnicas de redução de custos foram adotadas, principalmente na forma de flexibilização do trabalho docente, operada pelo aumento dos contratos sem nomeação definitiva, e na forma de diminuição do tempo de formação (até dois anos para o primeiro ciclo).

(…) os referidos problemas de ordem ontológica, epistemológica e metodológica em torno das práticas de avaliação da educação superior relevam, no essencial, sua definição política. O paradigma dominante de avaliação contábil e gerencial, baseado numa epistemologia positivista, é justificado pelo papel atribuído à avaliação em termos de regulação da educação superior. É exatamente neste terreno que a estandardização, a lógica positivista e de competitividade servem aos propósitos dos novos modos de regulação emergentes, especialmente induzidos pela reforma do Estado. A tradicional regulação estatal das universidades é afastada a partir do momento em que o Estado passa a ser definido como um “parceiro” que contratualiza com as instituições, já não as controlando diretamente, mas antes as supervisionando. A transição do Estado-regulador para um Estado-supervisor, isto é, do modelo de controle estatal para o modelo de supervisão estatal (…), exige a criação de instâncias de intermediação entre as universidades e o Estado, capazes de oferecer um primeiro nível de regulação e controle, a partir da avaliação e da “prestação de contas”, necessariamente referenciados a indicadores padronizados de performance (…). (Lima, Azevedo e Catani. pág. 20, 2008)

A transferência do papel de avaliação e orientação para entidades supranacionais visa a esvaziar o papel dos governos nacionais no planejamento da educação superior. Tal deslocamento produz

“um complexo processo de redução da autonomia relativa dos estados nacionais em matéria de educação superior; a direção supranacional de políticas, agora relativamente descontextualizadas; a uma deslocalização das arenas de debate e dos processos de discussão democrática de tipo tradicional, (…) a uma adaptação célere e por vezes sem discussão das legislações nacionais, assim sobre-determinados externamente (…) e frequentemente subtraídas do processo de deliberação democrática; (…) à definição externa e a priori de “problemas” a enfrentar e “soluções” a adotar, aparentemente universais (…) apresentados como imperativos racionais ou como exemplos incontornáveis de “boas práticas. (Lima, Azevedo e Catani, 2008)

Nada melhor do que dar voz aos próprios agentes desse processo. Conforme o comissário europeu para educação, formação e cultura, Ján Figen

“as universidades, que devem modernizar o conteúdo dos seus programas de estudo, criar campus virtuais e reformar os seus modelos de gestão. Devem igualmente profissionalizar a sua gestão, diversificar as fontes de financiamento e abrir as portas a novos tipos de estudantes”

Esse processo tem objetivos políticos claros: tornar as universidades européias mais competitivas, especialmente em relação às universidades americanas, atraindo os estudantes capazes de arcar com os custos (da própria Europa e, sobretudo, os asiáticos).  O próprio texto da Declaração de Bolonha é claro na adoção de lógicas etnocêntricas e mercantis:

“Em especial, deve-se ter em conta o objetivo de elevar a competitividade internacional do sistema europeu de educação superior, A vitalidade e a eficiência de qualquer civilização podem medir-se pela atração que a sua cultura exerce sobre outros países. Precisamos assegurar que o sistema europeu de educação superior consiga adquirir um grau de atração mundial semelhante ao das nossas extraordinárias tradição cultural e científica.” (Declaração de Bolonha, 1999)

O Conselho Europeu, reunido em Lisboa, em 2000, definia como meta para o ano de 2010 que a EU

“deveria converter-se na economia mais competitiva e dinâmica do mundo, baseada no conhecimento”. Na reunião do Conselho Europeu, em 2002, declarou-se que “a educação européia deverá ser uma referência mundial para 2010”  (Hortale e Mora, 2004, pág 945)

A reforma do ensino superior no Brasil

A síntese dos marcos institucionais e do desafio que nos é proposto é colocada com precisão por Hélgio Trindade:

Na história da República no Brasil, as duas leis gerais sobre educação superior que tiveram uma longa vigência foram promulgadas: a primeira, em 1931, por Francisco Campos durante o Governo Provisório de Vargas pós-Revolução de 19302; a segunda, em 1968, pelo Ministro da Educação, Tarso Dutra, durante a ditadura militar instaurada em 1964 que ainda está em vigor. A legislação em que provavelmente desembocará a nova reforma será a primeira a ser construída num período democrático, o que implica em amplo debate com os segmentos representativos da comunidade universitária e da sociedade.

Infelizmente, a previsão feita pelo autor na última frase da citação não se realizou. Como sabemos, o debate democrático acerca dos rumos da Universidade foi novamente negado à sociedade brasileira.  A forma como a adesão ao projeto Reuni foi aprovada nas universidades é um exemplo claro: a portas fechadas e com proteção policial.

Estamos vendo, sob nossos olhos, a implantação de mais uma “idéia fora de lugar” por nossas elites deslumbradas com modelos estrangeiros. “A primeira vez como tragédia, a segunda, como farsa”: estamos importando características dos colleges americanos e das universidades ango-saxônicas, que balizaram a reforma européia, sem, no entanto, contar com as mesmas condições. Como escreveu Naomar Filho, reitor da UFBA, universidade pioneira na implantação dessas reformas,

“é imprescindível que, nas relações complexas de trocas internacionais, tenhamos sistemas educacionais que sejam valorizados e compatíveis com os centros intelectuais e econômicos do mundo contemporâneo” (ALMEIDA FILHO, 2007a, p. 293)

  1. Os processos de avaliação institucional promovidos pelas universidades brasileiras operam na mesma lógica produtivista e positivista, negligenciando aspectos de difícil mensuração e quantificação.

Evidentemente, nada ocorre por acaso. A pressão exercida pelas instituições internacionais e a “atração mágica” que as modas da metrópole exercem nas nossas elites nada mais é do que a materialização de interesses econômicos poderosos. Quem se beneficia na transformação da educação em um grande mercado mundial? As universidades públicas brasileiras, com todos os eventuais problemas que tem, ainda são ilhas nas quais é possível fazer pesquisa. O projeto Reuni transformará a maioria das universidades em “universidades de ensino”, nas quais a graduação será dissociada da pesquisa. Ou parece crível que um bacharelado interdisciplinar forneça condições para o envolvimento nesse tipo de atividade? Além do mais, as universidades criarão egressos de 2ª e 3ª classes (os que completarem somente o 1º ou o 2º ciclo).  Basta observar a como funcionará o sistema de ciclos para ter dimensão dos efeitos e também o porquê da expansão tremenda que algumas universidades estão passando: à boa parte dos ingressantes será reservada apenas uma formação genérica, a do ciclo básico.

Educação superior pública no Brasil nestes tempos de crise: entre a cruz e a espada

Em nossa opinião, entender o desenrolar do processo de reformas pelas quais passa o ensino superior no Brasil deve levar em conta a restrição orçamentária que deverá pressionar os orçamentos públicos no próximo período. De fato, no início do corrente ano, em decorrência da crise econômica, foram anunciados diversos cortes nos orçamentos ministeriais. A educação foi a pasta da área social com maior corte de verbas: 1,2 bilhões no orçamento previsto.

O desenho geral da crise econômica já é conhecido. A solução encontrada pelas empresas foi cortar postos de trabalho, transferir custos e recorrer aos governos em busca de amparo. A solução encontrada pelas instituições financeiras foi buscar, da mesma forma, auxílio financeiro nos Estados Nacionais, a quem venderam “ativos tóxicos” que tinham encalhados (por exemplo, contratos de venda de imóveis que certamente não serão pagos pelo comprador, como os títulos sub prime). Isso marca o ocaso da ideologia neoliberal, que varreu continentes e empolgava as elites políticas e empresariais de países como o Brasil.

Ora, é evidente que os custos da má-gestão das empresas estão sendo transferidos para os cidadãos, que além de serem pressionados pela inflação e pelo desemprego, terão seus impostos usados na salvação dos grandes capitalistas financeiros.

E a educação?

Quando o cinto aperta a forma mais fácil de diminuir a restrição orçamentária é o corte de programas governamentais. Governar não é aplicar uma fórmula matemática, o que há são escolhas políticas acerca do que são prioridades. No Brasil, não restam dúvidas de que a educação superior pública esteve e está longe de ser prioridade. Por isso mesmo, o Reuni nos parece cada vez mais um “canto das sereias” para atrair as combalidas universidades federais. Se por um lado oferece, basicamente, algumas vagas para concursos docentes, por outro aprova resoluções como a que obriga os mestrandos bolsistas a darem 40h de aulas. Ora, se isso não é precarizar o trabalho docente e as condições de estudo, sobretudo nos cursos de graduação, então não sabemos.

Na contramão dos processos globais, o Reuni e a Universidade Nova representarão o início da desobrigação do Estado para com os custos do ensino superior brasileiro. O próprio decreto é objetivo ao dizer (CITAR O ARTIGO QUE DIZ QUE SE NÃO TIVER GRANA A UNIVERSIDADE DEVE BUSCAR FORA).  Em seguida, virão os ataques aos dispositivos legais e constitucionais que asseguram educação gratuita. A Universidade Brasileira dobrará a cabeça ante o capital internacional e as ambições dos países centrais, ao invés de formular seu próprio sistema de ensino superior que sirva a um projeto de soberania nacional e inclusão social.

referências

ALMEIDA FILHO, Naomar. Universidade nova: textos críticos e esperançosos.

Brasília: UnB; Salvador: EDUFBA, 2007a.

BOLONHA, Declaração de. Disponível em: <http://www.mctes.pt/docs/ficheiros/

Declaracao_de_Bolonha.pdf> Acesso em 7 de maio de 2009.

HORTALE, Virginia; MORA, José-Ginés. Tendências das Reformas da Educação Superior na Europa no Contexto do Processo de Bolonha. Educação e Sociedade. Campinas, vol. 25, n. 88, p. 937-960, Especial – Out. 2004. Disponível em <http://www.cedes.unicamp.br> Acesso em 7 de maio de 2009.

LIMA, Licínio C.; AZEVEDO, Mário Luiz Neves de; CATANI, Afrânio Mendes. O processo de Bolonha, a avaliação da educação superior e algumas considerações sobre a Universidade Nova. Avaliação (Campinas),  Sorocaba,  v. 13,  n. 1, mar.  2008 .   Disponível em <www.scielo.br> Acesso em 7 de maio de 2009

SGUISSARDI, Valdemar. Reforma Universitária no Brasil – 1995-2006: Precária Trajetória e Incerto Futuro. Educação e Sociedade. Campinas, vol. 27, n. 96 – Especial, p. 1021-1056, out. 2006 Disponível em <http://www.cedes.unicamp.br> Acesso em 7 de maio de 2009.

TRINDADE, Hélgio. Reformas e avaliação da educação superior no Brasil. 2004. Disponível em <www.riseu.unam.mx/documentos/acervo_documental/txtid0032.pdf> Acesso em 7 de maio de 2009.

Educação superior pública no Brasil em tempos de crise: entre a cruz e a espada

4 04UTC Maio 04UTC 2009 at 4:44 pm | In educação, políticas públicas, universidade | Leave a Comment

(texto escrito para o campo Rompero o Dia!)

A crise econômica global atingiu diversos setores dada sociedade. Nesse rápido artigo, abordaremos o impacto da retração da economia global na educação pública brasileira, condicionado por dois movimentos: a reforma levada adiante pelo Reuni e a crescente restrição orçamentária a que os governos serão submetidos.

Como saída para a crise econômica, a solução encontrada pelas empresas foi cortar postos de trabalho, transferir custos e recorrer aos governos em busca de amparo. A solução encontrada pelas instituições financeiras foi buscar, da mesma forma, auxílio financeiro nos Estados nacionais, a quem venderam “ativos tóxicos” que haviam encalhado (por exemplo, contratos de venda de imóveis que certamente não serão pagos pelo comprador, como os títulos sub prime). Isso marca o ocaso da ideologia neoliberal, que varreu continentes e empolgava as elites políticas e empresariais de países como o Brasil.

E a educação?

Quando o cinto aperta a forma mais fácil de diminuir a restrição orçamentária é o corte de programas governamentais. Governar não é aplicar uma fórmula matemática, o que há são escolhas políticas acerca do que são prioridades. No Brasil, não restam dúvidas de que a educação superior pública está longe de ser prioridade.

Já foram anunciados diversos cortes no orçamento da educação. Por isso mesmo, o Reuni nos parece cada vez mais um “canto das sereias” para atrair as combalidas universidades federais. Se por um lado oferece, basicamente, algumas vagas para docentes, por outro aprova resoluções como a que obriga os mestrandos bolsistas a darem 40h de aulas e planeja aumentar a relação de professor por aluno. Medidas parcas, que já estão ameaçadas em função dos cortes que já foram anunciados na área de educação (1,2 milhão na área de educação).

G 20 opta pelos banqueiros, não pelo povo

4 04UTC Maio 04UTC 2009 at 4:41 pm | In ciência política, política, relações internacionais | Leave a Comment

(texto escrito para uma publicação do campo Romper o Dia)

Nos dias 1° e 2 de abril, os chefes das 20 principais economias globais (grupo chamado de G20) reuniram-se em Londres. Na pauta, a tentativa de coordenar esforços para restabelecer a normalidade da economia global, gravemente abalada pela última crise econômica. A principal medida anunciada foi a injeção de um trilhão de dólares no FMI, instituição que há um ano demitia funcionários e planejava vender patrimônio para não ir à falência. Aliás, foi o FMI que pressionou países como Brasil e Argentina a dotarem medidas privatizantes nos anos 90. O presidente Lula se gabou por emprestar dinheiro ao FMI (“algo “chique” segundo ele). Não é à toa que Obama disse que Lula é o cara! Enquanto reuniam-se, sob a benção do Papa Bento XVI, um forte esquema de segurança tentava impedir que milhares de manifestantes chegassem perto de onde a reunião era realizada. Centenas de organizações reuniram-se em uma aliança chamada “put people first”, algo como “as pessoas em primeiro lugar”, com o objetivo de articular os protestos. Eles mapearam 125 pontos no centro financeiro de Londres que deveriam ser alvo das manifestações. Os manifestantes tentavam chamar a atenção para pautas negligenciadas pelos líderes mundiais, mais preocupados em definir planos de salvação às instituições financeiras, as mesmas que levaram o sistema financeiro para o brejo. O protesto reuniu mais de 4000 pessoas, que se dirigiram ao Banco da Inglaterra. Apesar do tom bem humorado e festivo dos protestos, a polícia prendeu 150 pessoas e agrediu outras tantas. Os manifestantes foram contidos dentro de um perímetro determinado e impedidos de seguir para outros pontos. Algo que parece ter passado desapercebido pelos governantes, mas não pelos manifestantes, são as conseqüências da crise ambiental e da concentração de renda, que perderam relevância diante da crise financeira.”Os que governam revelaram sua ineficiência na hora de enfrentar os verdadeiros desafios, que são a pobreza, a fome, a desigualdade”, disse à AFP a romana Sandra Marinni. “Uma solução. Revolução” gritavam milhares de manifestantes.

Encontro Regional de Estudantes de Ciências Sociais do Sul do Brasil

24 24UTC Abril 24UTC 2009 at 3:37 pm | In humor e política, mitos, política | Leave a Comment
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Encontro Regional de Estudantes de Ciências Sociais do Sul do Brasil

ERECS/Sul: Encontro Regional de Estudantes de Ciências Sociais da região sul do Brasil.

Tema: “Teoria versus prática ou teoria e prática? Educação e sociedade.”

Data: 11 a 14 de junho.

Site: http://erecs2009.ning.com/

Local: Parque da Ciência, Estrada da Graciosa nº 4.000, Pinhais, Curitiba, PR.

  1. Apresentação:

O tema do Encontro Regional de Estudantes de Ciências Sociais da Região Sul, será “Teoria versus prática ou teoria e prática? Educação e sociedade”. A discussão visa a proporcionar aos estudantes de Ciências Sociais um espaço privilegiado de debate acerca dos dilemas que surgem no processo de articulação se estabelece entre teoria e prática, seja na atuação profissional, seja na militância social.

Os encontros regionais dos estudantes de Ciências Sociais são organizados pelos próprios estudantes, através de comissões criadas na própria escola sede e com contribuições feitas por estudantes de outras escolas da região em uma reunião preparatória (o Pré-Erecs), que no ano de 2009 ocorreu entre os dias 18 e 21 de abril, em Curitiba. Participaram estudantes da UFRGS, da UFSC, e da UEL além de vários estudantes da própria UFPR.

Como objetivo primário, os encontros visam a proporcionar espaços de troca e construção de redes entre os estudantes, os estimulando a perceber as rupturas existentes entre as diversas perspectivas teóricas e instituições de ensino. Os ERECS/Sul historicamente são encontros amplos com propostas de atividades e integrações prévias formuladas pela escola sede, mas sempre sujeitas a alterações/contribuições e novas propostas feitas pelos estudantes ao logo do encontro, como oficinas, GDTs e quaisquer outras propostas de debate acadêmico/político que visem a contribuir para a formação do cientista social.

Todo conhecimento torna-se, devido à necessária vinculação do meio ao qual o indivíduo pertence a si mesmo, um auto-conhecimento. Nesse sentido, a partir do ERECS de 2008, realizado em Porto Alegre, percebeu-se a importância do encontro possuir uma construção verdadeiramente coletiva e plural, no qual os debates históricos e problemas específicos das diversas escolas sejam valorizados, garantindo que de fato o encontro seja enriquecedor para os participantes. Para tanto, é vital que sejam garantidos espaços para debates políticos, debates acadêmicos e eventos sociais, de forma que os diversos tipos de capitais relevantes na construção do campo sejam contemplados, sem que haja, contudo, hierarquia entre essas prioridades.

Outro objetivo do encontro é proporcionar espaços de organização em torno dos debates propostos pelos GTDs, oficinas e saídas de campo, assim possibilitando a construção de uma maior identidade entre os estudantes de Ciências Sociais que vivenciam diariamente realidades distintas. As temáticas dos GTDs são definidas a partir do debate entre as escolas envolvidas, buscando contemplar os diversos enfoques e prioridades regionais.

Para alcançar os objetivos propostos, partimos do princípio de que é possível fazer uma sociologia crítica da realidade social brasileira, não privilegiando somente os debates referentes ao ensino superior e à formação do cientista social, mas também da relação que se estabelece entre ambos e àquela. As saídas de campo são uma escolha metodológica fundamental para a concretização desse debate e maior integração com a realidade da cidade onde será realizado o Encontro. O ERECS se estrutura sobre os princípios da autonomia e pluralidade, buscando estimular o pensamento crítico, indissociável do contato com as realidades distintas.

2. Orçamento:

Abaixo, segue a projeção de custos envolvidos na construção do ERECS.

Descrição Valor por unidade Quantidade Valor total
Comida R$ 4,00 10(refeições)X200(pessoas) R$ 8.000,00 - R$ 8.000,00
Cartaz R$ 3,00 150 R$ 450,00 R$ 0,00 ajuda
Caneca/Adesivo R$ 1,50 / 2,00 100 R$ 150,00 R$ 50,00 ajuda
Camisas R$ 6,80 / 12,00 100 R$ 680,00 + R$ 520,00
Parque R$ 3,00 150pessoas R$ 600,00 - R$ 600,00
Limpeza ? R$ 60,00 2X3 R$ 360,00 - R$ 360,00
Crachá R$ ?
Certificado R$ 4,00 200 pessoas R$ 800,00
Mediador R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00
Saídas a campo R$ ?

3. Dados gerais:

Público alvo: Estudantes de Ciências Sociais das universidades do Sul do Brasil; Estudantes de Ciências Sociais das demais localidades; Profissionais da área de Ciências Sociais; Demais interessados.

Estrutura física: 3 ou 4 salas para os GDT; Espaço para as festas e Espaço para alimentação.

Alojamento: Salas ou acampamento. É importante que tragam colchão, saco de dormir, barracas, cobertas, etc.

Alimentação: Haverá opção para vegetarianos. Não haverá inscrição sem alimentação.

Inscrição: R$ 30,00 até o dia 05/06/09 e R$ 40,00 do dia de junho até o início do evento.

Procedimento da inscrição: Fazer sua inscrição no site do ERECS. 2. Fazer o depósito identificado no caixa, guardando o extrato e o número do depósito, que será o único comprovante de pagamento. Os depósitos identificados devem ser feitos nos caixas das Agências do Banco do Brasil. Agência: 3262-x Conta poupança: Nome: Maria Otávia Battaglin Loureiro.

Utensílios: No encontro, não serão utilizados utensílios descartáveis. Cada um deve ser responsável por trazer talheres, copos, pratos, roupa de cama e banho, chinelo, camisinha, e o que mais lhe convier.

  1. Programação

5ª-feira 6ª-feira Sábado Domingo
8h/9h Inscrições Café da manhã Café da manhã Café da manhã
9h/12h Trabalhos e GDT 3 GDT 5
12h/14h Almoço Almoço Almoço Almoço
14h/16h GDT 7 GDT 2 e OL Saída de campo Volta pra CASA
16h/16h3 Intervalo Intervalo Saída de campo
16h3/18h3 GDT 1 e OL GDT 4 e GDT 6 Saída de campo
18h3/20h Janta Janta Janta
20h/21h Roda de abertura Cultural Roda Final
Cultural
21h/raiar Cultural

Propostas de debate para cada GDT:

GDT 1 – SOCIOLOGIA NO ENSINO MÉDIO [6ª 14h/16h]

Partindo de experiências na área de ensino de sociologia, haverá um debate acerca da nossa formação e da concepção de sociologia no ensino médio vigentes.

GDT 2 – GÊNERO E DIVERSIDADE SEXUAL: POLÍTICAS PARA UNIVERSIDADE [5ª 16h3/ 18h3]

Debater os problemas que temos na universidade a cerca de política voltada para as mulheres e glbtt.

GDT 3 – PROCESSOS DE REFORMAS NO ENSINO SUPERIOR: A REFORMA CURRICULAR [6ª 9h/12h]

Debater os determinantes dos processos de reforma do ensino superior em perspectiva comparada.

GDT 4 – MOVIMENTO ESTUDANTIL DE ÁREA EM CIÊNCIAS SOCIAIS [6ª 16h3/18h3]

Como continuação do GDT do ano passado, abordando brevemente o histórico do movimento estudantil de área, construir uma análise coletiva da conjuntura e dos desafios em relação a si mesmo e a outros movimentos sociais e populares neste momento histórico (para os estudantes de ciências sociais).

GDT 5 – PREPARAÇÃO PARA AS SAÍDAS DE CAMPO [Sábado 9h/12h]

Conversa com um membro do local onde faremos a saída de campo, para melhor nos prepararmos para a mesma.

GDT 6 – DEMARCAÇÃO DE TERRAS [6ª 16h3/18h3]

Identidades e conflitos em terras indígenas e quilombolas.

GDT 7 – AÇÕES AFIRMATIVAS NA EDUCAÇÃO [5ª 14h/16h]

Articular o acúmulo sobre o ensino de história e cultura africana e afro-brasileira nas escolas, o debate sobre cotas em geral e o histórico de luta pelas cotas na universidade.

OF – OFICINAS LIVRES [6ª 14h/16h]

Espaços em aberto na programação para os estudantes proporem oficina, debates e atividades que venham a enriquecer a nossa formação.

GDTs

Descrição: Grupo de Discussão e Trabalho.

Objetivo: Aprofundar a temática e propor ações sobre determinado assunto.

Metodologia: Todos os integrantes preferencialmente sentados em roda, com direito a voz abordando temas referentes ao do espaço, para a livre discussão entre os integrantes. Se necessário for, o responsável pelo GDT deve propor que se façam inscrições para que todos que queiram se colocar possam ter este direito. Para avaliar se haverá tempo limite de fala, o próprio GDT determinará, os grupos terão relatorias. Que os grupos tenham facilitadores para iniciar o debate (uns 15 ou 20 mim). Os facilitadores podem ou não ser de Curitiba. Caso não seja possível que em todos os espaços tenham facilitadores, seria interessante os estudantes levassem das suas cidades e escolas materiais sobre o assunto do GDT para compartilhar com os demais.

Apresentação de trabalhos acadêmicos

Dependendo da quantidade de trabalhos inscritos previamente (uns 5 ou 6), colocaremos todos em uma mesma sala e em um tempo de uns 20 mim para cada apresentação. Posteriormente as apresentações se faz um debate sobre os trabalhos. Se forem muitos trabalhos e de diferentes áreas, dividiremos por áreas e colocaremos cada área em uma sala e as apresentações acontecem simultaneamente.

Saídas de campo:

  1. MST
  2. A outra Curitiba
  3. Catadores
  4. Quilombolas – Saída de campo anda não confirmada.

Saída de campo:

Descrição:Fazer uma vivência do estudante de Ciências Sociais com a realidade brasileira não divulgada.

Objetivo: Aproximar os estudantes dos conflitos da sociedade,

Metodologia: No GDT pela manhã é discutido com os estudantes o propósito da saída de campo, as regras do local a ser visitado e qual pode ser o melhor aproveitamento da atividade. Um membro do movimento social deve acompanhar todo o processo, desde o GDT até a vivência em si.

Roda de abertura:

Apresentação do encontro e discussão inicial acerca dos espaços.

Roda final:

Momento que se faz uma avaliação sobre o encontro que passou e se decide a próxima escola sede.

Cultural:

Momento lúdico, onde a principal finalidade é que os estudantes de ciências sociais se conheçam. Grupalização.

notas sobre os nossos liberais…

31 31UTC Março 31UTC 2009 at 1:55 pm | In auto-ajuda, eleições, humor e política, política | Leave a Comment
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1) Num cenário de grave crise econômica global, o Fórum da Liberdade está mais preocupado em discutir “a cultura da liberdade”, fazendo ar blasé tipo “não fui em quem peidou”.

Um breve retrospecto das últimas edições:

XIII Fórum da Liberdade – 2000: O Brasil em Perspectiva. Onde é que esta história vai parar?

XIV Fórum da Liberdade – 2001: A crise social brasileira: causas, desafios e soluções

XV Fórum da Liberdade – 2002: Os desafios da democracia no século XXI

XVI Fórum da Liberdade – 2003: Civilização ou Barbárie: em que mundo vamos viver?

XVII Fórum da Liberdade – 2004: Brasil: país em desenvolvimento: até quando?

XVIII Fórum da Liberdade – 2005: O Futuro do Trabalho

XIX Fórum da Liberdade – 2006: Quais os direitos e deveres dos governos?

XX Fórum da Liberdade – 2007: Propriedade e desenvolvimento

2) O senso comum liberalóide sempre alega a dedicação ao trabalho e a disposição à poupança como fatoe explicativo chave da riqueza de certos indivíduos e do fracasso de outros. Não raro próximo de explicações racistas (como dizer que quem mora nos trópcos é mais propenso à vadiagem). O caso da Camargo Correa (dedicados trabalhadores do setor de construção que aparentemente superfaturam obras públicas para injetar em campanhas eleitorais, em troca, evidentemente, de uma mãozinha na hora de vencer licitações), Investigada pela operação “castelo de areia” da PF, e a prisão de Eliane Tranchesi, dona da Daslu, são simbólicos. São simbólicos pois evidenciam quem corrompe o serviço público no Brasil, ao contrário do que afirmam os defensores da incapacidade inerente dos governos, e evidencia quem sustenta o luxo da nossa “elite”. Eliane Tranchesi está morrendo, não vai durar muito tempo e em breve vai encarar os portões do inferno. Uma pena que antes de seu juízo não tenha enfrentado o julgamento coletivo coletivo da população carcerária, cuja situação desumana e indigna não causa comoção nas nossas “elites”.

Yeda no cadafalso

14 14UTC Março 14UTC 2009 at 2:03 pm | In ciência política, humor e política, política | Leave a Comment
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A última sexta-feira 13, trouxe muito azar, pelo menos para Yeda Crusius. O ex-ouvidor da área de segurança entregou para a OAB, segundo a Folha de São Paulo de hoje, “um dossiê e um CD com supostas escutas ilegais feitas, segundo ele, por um aparato clandestino de espionagem que funciona no governo gaúcho” e que conteriam filmagens nas quais o chefe de gabinete da governadora, Ricardo Luís Lied aparece cometendo tráfico de influência e crime eleitoral.

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Mais detalhes no blog dos caras pintadas, movimento de estudantes que atua na linah de frente contra o governo de Yeda Crusius

Sobre a posse de Obama

22 22UTC Janeiro 22UTC 2009 at 1:15 pm | In ciência política, eleições, política, relações internacionais | Leave a Comment
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Em primeiro lugar, há que se destacar que nós, brasileiros, tivemos uma sensação de dejá vu com a posse de Obama. Quando Lula assumiu pela primeira vez havia uma enorme expectativa de mudança e insatisfação dos mais pobres.  A esperança venceu o medo em ambas as campanhas, mas o tempo, inelutável, já nos permite ver que no brasil quanto maior a euforia do bipolar maior a queda até o estado patológico antagônico. Poderá (muito além de meramente querer) Obama “fazer diferente”?

***

Uma das expectativas da população é quanto à prestação de serviços básicos como saúde e educação pelo Estado americano. O discurso apelando para a iniciativa popular, ao serviço comunitário -não foi a toa que ele praticou serviço comunitário diante das câmeras um dia antes da posse. Vejam bem, essa visão distinta no que tange à natureza das políticas públicas não é nova. No início do 80 o debate rolava exatamente por aí. Há uma diferença fundamental no serviço público concebido como direito (pelo Estado, garantido por lei e pelo poder judiciário, eventualmente) e no serviço público concebido como favor, cresultado da organização privada (associações beneficentes, doações, mais recentemente ongs, etc). Provavelmente lance mão de algum programa assistencial de alcance limitado e bem delimitado, mas de alto valor simbólico, mas não deverá mudar substancialmente o sistema de saúde privado dos EUA, restringindo eventuais programas ao já excluídos.

***

No que tange à política externa, não vejo, dá mesma forma, possibilidade de mudanças substancias, apenas mudanças cosméticas. Hillary deverá lançar ão em larga escala do soft power, com grandes atuações simbólicas. A maior delas, seria o levante do bloqueio a Cuba, que só traria lucros financeiros e políticos, o que lhe garantiria apoio de regimes de “centro esquerda” como o Brasil. Da mesma forma, com as tecnologias de defesa que domina hoje, os EUA não precisam do enclave de Guantánamo. Pelo seu simbolismo, só traria benefícios uma eventual devolução. Uma rodada de acúmulo de capital político daria um grande apoio para pautas como acordos bilaterais de comércio e até mesmo para ressuscitar algo semelhante à Alca.

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